segunda-feira, 6 de abril de 2015

Me roubaram hoje o fazedor de palavras... Me levaram sentimentos. Me saquearam planos, sonhos que poxa... Levei dias pra construir, noites e suspiros. Me gastaram batidas do coração. Pisaram no meu tempo, e cuspiram. Me mandaram uma carreta no peito! Como é pesado e dolorido! Mas não tem problema... Eu começo do zero e vou ter tudo de novo. Deixo o texto da Ana Jácomo que adoro, que já postei duas vezes, pq sim... Eu escrevo mas também leio, muito. Da mesma proporção que falo e sei ouvir, espero que entendam a alusão. Deixo esta última postagem desta temporada de solidão à distância!
"Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração. Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, de fazer a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe. Essa possibilidade de experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida. Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim."
Acordei assustada porque tive um pesadelo. Tá, era sonho, mas acordei e no mundo real não pode ser sonho, ahh enfim! Pensando bem... As pessoas dizem que tem "lados"... Falam "esse meu lado". Mostram um lado de cada vez. Escolhem qual lado mostrar como se fosse roupa de gala! Um para cada da ocasião.
E eu?... Eu acho que sou redonda!
"A minha discrição é a entrelinha, pois ainda sou pequenininha e olho a janela da pontinha dos pés."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Cartas ao passado

Belo Horizonte, 06 de janeiro de 2015

Querido A.A,

 Já não moro mais naquele apartamento, aquele que um dia, despretensiosamente adesivei uma frase sua e colei na parede da sala. Faz uns bons meses que migrei meu lugar de pensar pra uma varanda muito aconchegante, a qual lhe escrevo neste momento.
Como é estranho lembrar disso agora... No dia da mudança, em cima de uma escada, enquanto arrancava as letras adesivas da parede, contava a história do jovem poeta, o qual só conheci alma, há um casal, gay, que também já não é mais casal.
 Tenho plena consciência de minha culpa no nosso não estar. Também, após tantas despedidas a solitude me é confortável. Talvez esteja disfarçada de medo, este mesmo que me aprisionou em mim. Contudo me sinto leve, por saber, sentir, que era pra ter sido assim, a avaliar também seus conflitos... Eu precisei lhe deixar subir sem que para isto eu me tornasse um degrau. No entando, não me desculpo. Não por ser orgulhosa e sim por crer que não seja o caso. Porém lhe dedico... Esta carta, esta hora acordada e esta lembrança, ainda que tardia como a liberdade das minhas Minas Gerais!
 À todas as vezes que acariciamos um ao outro, às vezes que eu li as palavras mais belas ditas sobre mim. Adorava uma frase que me comparava a um paradoxo! Deve estar guardada em alguma pasta do pc... Por poder arrancar letras adesivas sem doer e ainda que eu seja este trator... Que só parou pra pensar nisso hoje, saiba é com muita paz que também te guardei! Às lembranças, o apartamento antigo, à parede... À você, A. A.

02:56 hrs

Rio de Janeiro, 07 de Janeiro de 2015

Cara srta. Leão,

 Uau... Olha, receber essa mensagem logo pela manhã, e de alguem tão especial, foi difícil processar a situação... Sei que a forma que nos despedimos não foi a mais cordial de todas, mas não há culpa ou qualquer sentimento semelhante. Somos o que somos, e isso que te torna tão especial, inclusive.
 A formiguense mais tempestuosa que tive o imenso prazer em conhecer, a que tem o ar inocente mais indecente, minha primeira fã, rs.
 Não julgue pelo curto tempo ou pelas discordâncias, porque você ganhou um espaço cativo em mim. A distancia não é nada quando o que se vê é o que mais importa: a alma. Palavras faltam para descrever o que me vem à cabeça ao falar de nós. Normal. É isso que você provoca. Intensidade irradiante. Não guarde do mundo esta energia boa que emana... Seja Leão, seja sempre louca por conseqüência e imortal por predestinação. Sim, a musa e síntese da minha frase. Ela não foi arrancada da parede, e nem pode ser fixada em canto algum. Ela vive, ela anda, ela se chama você.


Grato, ad aeternum,

A.A.
09:54 hrs

E assim a vida segue... Na base da cordialidade!

terça-feira, 3 de junho de 2014

O submundo artístico

Atriz com muitos anos de carreira é "puta velha".
Um espetáculo muito bom é  "do caralho".
E pros que falam mal, "foda-se".

Um amor que transcende tanto o entendimento da razão, de qualquer ser,
não se admira ser também tão carnal. Alma e corpo fundidos, suor em rostos esculpidos, nascidos para aplausos!

Falamos "merda". "Quebramos a perna".
Somos completamente sujos e embriagados pelo fazer artístico.

O ator muito bom, no palco é "um monstro".
O ator que se supera é "um gigante em cena".
Somos o grito... "Evoé"!
Sem pudores, sem vergonha, "puta que o pariu"!

E tudo, tudo é "foda"!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Vida de papel

Imagine folhas de papel e uma impressora.
Imagine... 

Pegue uma dessas folhas e amasse até formar uma bolinha. Agora tente desamassar. Esta folha de papel volta a ser como era antes? NÃO...

Você poderá colocá-la no lugar de onde a tirou, mas ela não será mais como as outras. Se colocar a impressora para funcionar então? Com ela ali... Provavelmente irá agarrar, borrar, travar e até mesmo rasgar ao tentar tirar.

Você nunca poderá imprimir nada mais naquela folha.
Ela nunca voltará a ser como antes de ser amassada.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Talvez eu queira entrelaçar meus dedos aos seus e só o silêncio escutar.
Talvez eu entenda o que sua respiração diz e quando pede minha aprovação.
Talvez... Seu café seja o melhor do mundo, e talvez eu queira toma-lo todos os dias.
Talvez eu possa comer doce, quando você me der.

Quem sabe eu continue na minha vendo você crescer, e amoleça quando me abraçar?
Quem sabe eu torça que chova todos os dias, pra te ver molhado?
Quem sabe eu fique para trás, pra te ver mais à frente?

Mas... Eu ainda acho que fazer outra pessoa feliz é uma responsabilidade muito grande! Daí fico assim... Nesse "talvez, quem sabe" sem fim!